Santander amplia financiamento para até 90% do valor do imóvel

Banco reduz entrada em casos selecionados, mas mantém análise individual de cliente, imóvel e relacionamento bancário

Santander amplia financiamento para até 90% do valor do imóvel

Banco reduz entrada em casos selecionados, mas mantém análise individual de cliente, imóvel e relacionamento bancário

O Santander passou a admitir financiamentos imobiliários de até 90% do valor do imóvel em operações selecionadas, acima do padrão de 80% praticado no mercado privado. Na prática, a mudança reduz a entrada mínima potencial de 20% para 10% e altera de forma relevante a conta de aquisição para compradores e investidores, destaca reportagem do Valor Investe. Em um imóvel de R$ 300 mil, por exemplo, a entrada cairia de R$ 60 mil para R$ 30 mil, liberando capital próprio para outras aplicações ou para custos acessórios da compra.

Flexibilização não vira regra automática

A novidade, porém, não representa uma política universal. O banco afirma que cada pedido continuará sendo analisado individualmente, com avaliação de perfil de crédito, relacionamento, características do imóvel e demais fatores de risco.

A Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) lembra que a regulação já permite LTV (percentual financiado em relação ao valor do imóvel) de até 90% em determinadas modalidades, embora o mercado opere, na média, em torno de 60%. Isso indica que a flexibilização tende a ficar concentrada em clientes de melhor score de crédito, imóveis mais líquidos e operações com menor risco percebido.

Juros longos ainda limitam o ciclo

O movimento ocorre em um momento de expectativa de melhora do crédito habitacional após cortes da Selic, mas o setor ainda depende mais das taxas longas do que da taxa básica em si. Segundo a leitura citada pela Abecip, os juros de cinco e dez anos seguem próximos de 13,6% e 13,7% ao ano, patamar que continua pressionando parcelas e capacidade de pagamento.

As taxas do Santander, hoje entre 11,69% e 12,29% ao ano, conforme perfil do cliente, mostram que a melhora do LTV não elimina a seletividade imposta pelo custo do dinheiro.

Relacionamento bancário ganha peso na aprovação

Para o comprador, a mensagem é dupla: a entrada menor melhora o acesso, mas a aprovação dependerá cada vez mais do rating interno e da profundidade de relacionamento com o banco. Concentrar movimentações, cartões, conta PJ e produtos financeiros pode ampliar a chance de condições mais favoráveis.

Para o mercado, a decisão do Santander cria pressão competitiva sobre Bradesco, Itaú e outros privados, ainda que esses bancos, por ora, mantenham oficialmente o limite de até 80%. Se a flexibilização se espalhar, o efeito tende a aparecer primeiro em imóveis de maior liquidez e compradores de menor risco.

Fonte: Portas